Escreve a Ana Carolina

Meu nome é Ana Carolina, tenho 17 anos, e ano que vem pretendo fazer faculdade de tradução e interpretação na Universidade X. Entretanto, ainda não sou fluente na língua inglesa. Comecei a fazer o curso no segundo semestre deste ano, então ainda estou no modulo básico 1. Até consigo compreender bem o inglês (obviamente, não tão bem quanto os interpretes profissionais, ou pessoas que possuem fluência na língua), porém, não sei falar AINDA. Algumas pessoas acreditam que não há problema em começar a graduação sem ter fluência no idioma, porém, há quem diga que isso é um problemão. Por isso, cá estou eu pedindo conselhos a vocês, que acredito eu já são experientes. Então por favor, deem-me suas opiniões. Vocês acreditam que eu deveria esperar até ter fluência na língua, para começar a fazer a faculdade? Ou com o tempo eu adquiro essa fluência, já que atualmente estou frequentando um curso?

Agradeço desde já pela atenção!

Um beijo e boa sorte!!!!!!

Ana Carolina,

Bom ver alguém tão jovem se preparando com tanto cuidado. Vamos ver se consigo ajudar. Como não nos conhecemos — e este texto pode ser lido por outras pessoas—, vou começar por duas informações bem básicas, talvez até básicas demais para você.

  1. Embora os cursos confiram o grau de bacharel em letras, “tradutor e intérprete”, embora tradução e interpretação sejam dois lados da mesma profissão, poucas pessoas conseguem ser, ao mesmo tempo, boas tradutoras e boas intérpretes. Qual a diferença? Tradutores trabalham com a língua escrita, intérpretes trabalham com a língua falada. É importante ver a qual vertente da profissão seu perfil se ajusta melhor. Uma das principais diferenças é que o tradutor é um artista que lapida seu trabalho até a perfeição, o intérprete tem de dar uma solução imediata a qualquer problema. E essa é só uma das diferenças. Outra é que o intérprete precisa ter um bom controle de sua voz. A pessoa pode ser gaga e uma magnífica tradutora, mas intérprete gago não tem futuro.

    Se você for se dedicar à tradução (como eu) o domínio do inglês falado, seja ativo seja passivo, não tem grande importância. Mas o domínio do inglês e do português escritos têm importância transcendental.

  2. Em teoria, tradução/interpretação são habilidades que se começa a aprender após dominar ao menos duas línguas. Na prática, no Brasil, se alguma faculdade for exigir de seus primeiranistas domínio da sua segunda língua, corre o risco de ter suas salas de aulas às moscas. Ou seja, na sua turma vai ter um pouco de tudo, desde as que moraram lá fora e se viram muito bem até as que andam capengando no verbo to be. Você não vai ser a melhor aluna da turma, mas também não vai ser a pior. Aliás, tem vestibular, não tem? Então! Se você for aprovada, é sinal que a escola achou teu inglês suficiente.

Dados esses dois fatores, acho que você deveria encarar o curso. Vai faltar inglês? Vai. Nada que você não possa remediar durante a grqaduação ou até depois dela. Porque, se você pensa que depois de quatro anos de faculdade vai sair uma tradutora ou intérprete completa e acabada, está muito enganada. A faculdade é só mais um passo na carreira.

Ah, antes que me esqueça: se você quer ser tradutora tem que estudar muito mais português do que inglês.

Sucesso e um beijo para você também.