(Este artigo é uma sequência deste).

Um dos problemas de traduzir do português para uma língua estrangeira, na minha área de especialização, ao menos, é o estilo altíssono, grandíloquo e sesquipedal que grassa na nossa redação empresarial, principalmente no engrimanço advocatício. São sucuris verbais, enormes cheios de introduções inúteis do tipo “Por oportuno, agregamos que”. E tome adjetivos louvaminheiros: “essa conceituada empresa”, “o ilustre jurista”. E dá-lhe sinônimos pedantes: “a lei magna”, o “Pretório Excelso”, “sob a égide do mandado legal” e mais o raio que os parta a todos eles e suas excelentíssimas famílias.

O pior é que a doença pega e, de tanto ler essas coisas, a gente começa a escrever assim também.

Dá para traduzir, mas fica ridículo e deixa o pobre do leitor gringo desesperado. Dá para simplificar, o que talvez seja ainda mais difícil do que traduzir tudo. Mais difícil e perigoso, porque nem sempre o tradutor consegue distinguir termos técnicos, que devem ser levados a sério, do puro e simples enchimento de linguiça e emperiquitamento. Quer dizer, ficamos entre a frigideira e o fogo.

Para agravar, o cliente muitas vezes fica magoado e irritado com a profanação de seu texto. Muitas vezes, temos de negociar, falando mal dos pobres dos gringos que não sabem apreciar a beleza estilística do vernáculo, esse tipo de coisa. Quando conseguimos permissão para simplificar, temos de aprender a cobrar pelo texto de partida, porque uns bons trinta por cento da verborragia vão cair embaixo da mesa.

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Antes de encerrar, recomendo este
texto, da nossa colega Rafa Lombardino que, sendo brasileira, vem fazendo um interessante e importante trabalho na área de tradução literária do português para o inglês.