De novo, a Denise encrencada, agora, juntamente com a Raquel Salaberry. Ambas estão sendo processadas pela Editora Landmark que, em uma inicial de quarenta laudas, às quais agregou oitenta laudas de documentos, pede que o blogue delas seja tirado do ar — além de pedir uma indenização e tal.
Para dizer a verdade, estou satisfeito. Essa história de plágio de traduções é um desrespeito ao tradutor. Sabe, aquela coisa do “bota aí qualquer nome, nome de tradutor não tem importância!” As minhas traduções não são assinadas, por uma série de razões que não vou discutir agora. Mas se fossem assinadas e se eu visse uma tradução minha atribuída a Tradubaldo Trocaverbo, ou a Cenossilda Filhadodono, ia me sentir ferido, humilhado e lesado nos meus direitos. Sem falar que o público tem direito de saber quem traduziu.
Entretanto, o grupo de editoras que plagia traduções acha que tudo bem, que elas estão certas, que errados estão os que reclamam, porque cometem crimes contra a honra, tipificados no Código Penal. Então. Por isso, o senhor Martin Claret (como pessoa física) e a Editora Landmark decidiram ingressar em juízo. A Landmark pegou mais pesado e quer que o juiz mande a Denise e a Raquel tirarem seus blogues do ar. Faz parte do jogo: sempre se pede mais do que se quer, na expectativa de que o juiz não dê tudo o que se pediu.
O tiro pode sair pela culatra, entretanto. Mal conheço a Raquel, entre outras coisas porque me interesso muito pouco por literatura – minha arte predileta é a música, como você provavelmente já desconfiou. Mas acompanho a Denise há tempos e já vi quanto ela é meticulosa nas comparações que faz. Quando ela diz “é plágio”, não é com leviandade: é depois de uma avaliação séria, que certamente um perito vai convalidar. E quero ver alguém provar que foi mera coincidência.
É aí que mora o perigo. Porque vai cair nas mãos do judiciário um escândalo nacional. As duas rés vão querer fazer prova da verdade, como permite a lei, vão demonstrar que é plágio e vai ficar muito feio para a editora – e para as outras que procedem do mesmo modo.
Mas querem fazer a Denise e a Raquel calar e, baseados não sei em que disposição legal, até quem sabe o consigam – a despeito de que o plágio é inegável. Aqui, entramos nós, você e eu. Ontem, uma onda de divulgação do caso correu o Twitter, as listas de discussão de tradutores, o Orkut e a blogosfera. A Denise publicou, hoje, uma lista impressionante de blogues que estão abordando a questão e a lista tende a crescer.
Divulgue você também. Não tenha medo: não é crime dizer que a Landmark está processando a Denise e a Raquel, porque é informação pública, de livre acesso ao público no site do Tribunal de Justiça. Não é crime divulgar o blogue da Denise.
Precisamos informar as editoras plagiarias que não é fácil calar a voz de uma tradutora valente. Menos ainda calar a voz de duas tradutoras valentes. Precisamos mostrar a todos que tentar intimidar uma tradutora ou duas, que estão simplesmente dizendo e provando o que todos nós sabemos, gera uma publicidade negativa enorme, muito mais prejudicial à imagem deles do que os artigos dos próprios blogues. Precisamos demonstrar a todos eles que a Denise é o que um amigo meu chamava “clara de ovo: quanto mais se bate, mais cresce”. Talvez até – glória das glórias – consigamos convencer a todas que melhor seria retiraram suas ações e fazer as coisas direito, em vez de procurar na Justiça o apoio aos seus erros.
Vai lá, divulga, repassa, avisa. Tem um amigo jornalista? Tenta interessar no caso. Escreva para seu jornal predileto. Faça a sua parte. Elas já fizeram a delas e botaram no pescoço no cepo por nós. Não diga “alguém precisa fazer alguma coisa”. Vá lá e faça você o que você pode.
E volte amanhã, que temos muita coisa sobre que conversar.

Danilo,
muito obrigada pelo apoio.
Eu estava vendo um outro blog “não gosto de plágio” e tive uma dúvida: como são os resultados destes processos? Muitas vitórias dos tradutores ou das editoras?
Também vi muitas notícias sobre diversos desrespeitos contra o tradutor. Qual a medida que os tradutores tomam para se proteger? Ah sim, antes que se assuste com a quantidade de perguntas: sou jornalista e engatinhando na tradução.
=]
Compartilhei a notícia no Google Reader e no Buzz.
Andreza, esse tipo de processo é novidade e deriva do fato de que a Denise enfiou na cabeça que ia procurar e expor todos esses plágios. Antes dela, havia uma que outra menção, mas foi ela quem cismou de comentar metodicamente o assunto.
É bom lembrar que a maioria das editoras trata o tradutor com honestidade, embora muitas paguem menos do que a gente gostaria que pagassem. Quer dizer, é um pequeno grupo que dá mau nome ao setor. O que nos leva a uma outra pergunta: porque as outras editoras, a maioria honesta, não se mexe para escoimar o setor dessa gente?
Estou divulgando o assunto em questão e irei sugerir que seja pauta de uma matéria em um jornal de alcance nacional da empresa na qual trabalho.
Para quem pegou o barco andando, o que está acontecendo entre essas tradutoras e as editoras?
[...] Tradutor Profissional – Não deixe calarem a Denise e a Raquel! [...]
Estão sendo processadas por calúnia, por terem denunciado plágios. Veja isto: http://naogostodeplagio.blogspot.com/2010/02/justica-e-internet-ii.html e, principalmente, isto: http://naogostodeplagio.blogspot.com/2010/02/justica-e-internet.html e ajude no que puder, por favor.
Danilo,
qual o blog da Denise, por favor?
Opa, já achei o blog!
E li a matéria no Globo!
Que mulher corajosa! Ganhou uma fã! Estou tentando entrar no meio literário e vou ficar atenta a essas coisas agora!
Danilo, vc acha que os tradutores tem voz fraca contra esses grandões? Será que não somos muito unidos?
prezado danilo, mais uma vez obrigada pelo precioso apoio e divulgação!
Oi, Danilo –
Que coisa, não? Me lembra do que um dos meus filhos, que é professor, conta: quando a gente vai impedir “cola” e chama a atenção do aluno, ele se mete a injustiçado, chama o pai e este, em vez de passar um pito no malandro, ainda exige que o professor seja punido.
Ainda bem que o juiz “professor” em questão mostra ter bom senso e equilíbrio, ao contrário das editoras que, ao invés de pedirem desculpas ao público e consertarem o mal feito, ou, se for o caso, mostrarem que também foram enganadas, só sabem tentar intimidar. Que feio, que decepção.
Você, Danilo, como sempre, ao lado do esclarecimento.
Um forte abraço,
Marion L. Pfeffer
Divulguei onde pude, inclusive para amigos jornalistas.
RT @DaniloNogueira: Não deixe calarem a Denise e a Raquel! « Tradutor Profissional | http://ow.ly/1aHic Barbaridade!
Meu filho recolocou a chamada no Facebook e eu twuittei.
Boa sorte
Parece que muitos juízes acham muito estranho esse negócio de pessoas poderem se expressar livremente online e condenam blogs por qualquer tipo de manifestação. Até blog que fala bem eu já vi ser ameaçado de processo…
Aproveitando o preconceito da justiça um monte de empresas e políticos tentam encobrir seus deslizes fechando blogs pela força da lei (até agora não lembro de ter visto sequer UM blog que tenha sido absolvido).
Uma das formas como nós, cidadãos (blogueiros ou não), podemos nos defender é dando os braços e entoando a mesma canção dos nossos amigos, ou seja, fazer como você (Danilo) fez e criar seu post somando sua voz.
Jacqueline, está dando uma encrenca dos diabos. Acho que esta, nós vamos ganhar..
http://naogostodeplagio.blogspot.com/ é o blogue da Denise.