Prometi este artigo para o pessoal de Rio Preto. Vai, dedicado a eles, como agradecimento pelo modo caloroso e carinhoso como trataram a Kelli e a mim.

Já traduzi muito do português para o inglês. Os primeiros serviços foram desanimadores.  Classificados de “macarrônicos” pelos clientes.  Para dizer a verdade, as críticas eram merecidas. Entretanto, meu texto não tinha erros de gramática.  Meu domínio da gramática inglesa era muito bom, bom o suficiente para corrigir erros dos nativos—e minhas correções eram sempre aceitas. Mas meu texto era ruim, realmente macarrônico.

Deu desespero.

Um dia, entrei na Livraria Dragone e encontrei um livro chamado The Elements of Style, um clássico que vem sendo atualizado há um século. Não é um manual de estilo, no sentido em que agora se usa o termo no Brasil, mas sim um livrinho sobre estilística. A gramática te diz o que é certo e o que é errado, a estilística te diz o que é melhor e o que é pior, ou seja, te ensina a escolher a melhor alternativa entre as várias que a gramática dá como aceitáveis. Li e reli o livro mil vezes e comecei a comprar outros livros do mesmo tipo. Há muitos, mas acho que esse é o primeiro que você deve comprar, porque é um clássico, porque é simples, porque é barato e porque vai te mostrar aonde eu quero chegar. Se não concordar comigo, vai gastar pouco dinheiro e perder pouco tempo. Mas compre uma edição moderna e atualizada. O original está em domínio público e pode ser baixado grátis da Internet, mas você não quer escrever inglês como se escrevia há cem anos.

Há outros livros do mesmo jaez e comprei um monte deles. O mais bonito é Ten Lessons in Clarity and Grace, mas esse é mais avançado. Mais simples, há os de Rudolph Flesch, dos quais li dois: The Art of Plain Talk e The Art of Readable Writing, ambos hoje difíceis de encontrar. Rudolf Flesch é uma curiosidade, porque influenciou muito o ensino da estilística nos EUA, mas era austríaco, o que prova que escrever bem uma língua estrangeira não é tão impossível assim quanto dizem. Seguindo as instruções desses autores e de muitos outros, fui “soltando a mão” e começando a escrever um inglês mais fluente.

Além disso, esses livrinhos foram me ensinando a detectar o tupiniquinglish nos meus textos. Tupiniquinglish são aquelas construções que para nós parecem perfeitas, porque acompanham a gramática e estilística do português brasileiro, mas que aos nativos parecem esquisitas ou até ridículas. De modo geral, uma tradução do português para o inglês, por mais correta que esteja do ponto de vista gramatical, parece algo empolada para os falantes nativos do inglês.

Outra influência importante foi o BBI, um dicionário de colocações que hoje considero ultrapassado. Atualmente, uso o Oxford Collocations Dictionary e o Longman Dictionary of Contemporary English. O pulo do gato, aqui, é buscar nesses dicionários os substantivos e ver com que verbo se colocam.  Você vai ter uma que outra surpresa interessante. Lembre-se de que esses dicionários, embora cubram os usos americanos, preferem a grafia inglesa. Então, procure cheque, e veja que beleza.

Esses dicionários têm uma vantagem: trazem somente as palavras em uso mais comum nos EUA e no RU, o que é ótimo, porque nós, sendo brasileiros, tendemos a usar muitos termos de origem latina, que são os mais óbvios para nós, mas que resultam em um inglês correto, embora enrolado e pouco natural – do tipo que os nativos comentam com um oh, yes, but that is not the way we say it. Então, um outro salto felino é se não está no Longman, é melhor não usar, salvo se for termo técnico.

Talvez, agora você queira ler este meu artigo, já antigo, mas ainda em grande parte válido – e com mais sugestões “mão na massa”. Onde este texto e o artigo discordarem, vale este texto.

Mas tire o cavalinho da chuva: perfeito, nunca vai ser. É como sotaque: tua pronúncia pode ficar quase perfeita, mas um sotaquezinho sempre fica.

Conforme o interesse dos leitores, volto ao assunto.