Muita gente entra nas comunidades, grupos e listas de tradutores com uma pergunta que me irrita profundamente, talvez sem razão (nem é segredo que me irrito fácil). Mas o tipo de questionamento que qualquer pessoa que pensar por dois segundos não faz. “Mas e aí, vocês vivem mesmo de tradução?” Sempre sinto vontade de dar uma resposta digna do Pedro Bó. Por conta dessas pessoas, acho importante divulgar conquistas pessoais, para verem que sim, a tradução permite que se viva bem, e sim, vivemos só disso.

Todo mundo que acompanha o site conhece minha história. Vou fazer um resuminho para o caso de ter algum leitor novo que não viu nenhum post mais pessoal. Acho que vai ter um ou outro detalhe novo, para não ficar contando muita coisa repetida.

Até 2008, eu dava aula de inglês. Em 8 anos, nunca recebi mais que 15 reais por hora aula dentro de uma escola. Talvez isso diga mais respeito à minha então incompetência por negociar preços, mas é a verdade. Também não era registrada, mais uma prova da minha incompetência administrativa. O resultado disso é que, em oito anos, eu não consegui economizar um real.

Em setembro de 2008, comecei a traduzir em tempo integral, aprendendo os macetes de negociação com vários amigos tradutores. Percebi que, financeiramente falando, eu tinha jogado fora oito anos da minha vida. Em quatro ou cinco meses traduzindo, saí da casa de minha mãe. Passei dois anos e meio em uma casa bonitinha, mas afastada, na beira do brejo, onde recebia as visitas de ratos, aranhas, pererecas, sapos, lesmas… Passei por uma seca de meses praticamente sem serviço, estourei cartão de crédito e cheque especial. Do mesmo jeito que entrei nas dívidas, saí: quase sem nem perceber. Há mais ou menos um ano, aluguei uma casa na civilização.

Em janeiro, juntei minha escova de dente com a do Paulo, e decidimos que era hora de comprar uma casa. Em pouco mais de um semestre, consegui juntar a minha parte na entrada de uma casa. Hoje, 17 de julho de 2012, assinamos o contrato, já com 30% da casa pagos. Uma casa pequena, mas de terreno inteiro, para finalmente meus cães poderem correr, cavar e brincar o quanto quiserem. Para muitos de vocês, pode até não parecer muito. Quem já andou com nossos sapatos sabe a vitória que é.

E é isso. Quem me acompanha no Facebook tem visto que minha barriga andava gelada. Medo de não conseguir comprar a casa que escolhemos, medo de assinar o contrato, medo de entrar em financiamento, ansiedade por todas as coisas boas que, tenho certeza, nos aguardam na nova casa, a nossa casa. Para quem está começando, fica o exemplo de que sim, é possível. Basta dedicação, disciplina e um tiquinho assim de sorte. Isso também explica meu ano meio sumida do blog, twitter, Skype, msn e todas essas coisas. Era um bom motivo, não?