Mais uma conquista!
17 terça-feira jul 2012
Escrito por Kelli | Categoria: Sem categoria | Tags:conquistas, iniciantes
Muita gente entra nas comunidades, grupos e listas de tradutores com uma pergunta que me irrita profundamente, talvez sem razão (nem é segredo que me irrito fácil). Mas o tipo de questionamento que qualquer pessoa que pensar por dois segundos não faz. “Mas e aí, vocês vivem mesmo de tradução?” Sempre sinto vontade de dar uma resposta digna do Pedro Bó. Por conta dessas pessoas, acho importante divulgar conquistas pessoais, para verem que sim, a tradução permite que se viva bem, e sim, vivemos só disso.
Todo mundo que acompanha o site conhece minha história. Vou fazer um resuminho para o caso de ter algum leitor novo que não viu nenhum post mais pessoal. Acho que vai ter um ou outro detalhe novo, para não ficar contando muita coisa repetida.
Até 2008, eu dava aula de inglês. Em 8 anos, nunca recebi mais que 15 reais por hora aula dentro de uma escola. Talvez isso diga mais respeito à minha então incompetência por negociar preços, mas é a verdade. Também não era registrada, mais uma prova da minha incompetência administrativa. O resultado disso é que, em oito anos, eu não consegui economizar um real.
Em setembro de 2008, comecei a traduzir em tempo integral, aprendendo os macetes de negociação com vários amigos tradutores. Percebi que, financeiramente falando, eu tinha jogado fora oito anos da minha vida. Em quatro ou cinco meses traduzindo, saí da casa de minha mãe. Passei dois anos e meio em uma casa bonitinha, mas afastada, na beira do brejo, onde recebia as visitas de ratos, aranhas, pererecas, sapos, lesmas… Passei por uma seca de meses praticamente sem serviço, estourei cartão de crédito e cheque especial. Do mesmo jeito que entrei nas dívidas, saí: quase sem nem perceber. Há mais ou menos um ano, aluguei uma casa na civilização.
Em janeiro, juntei minha escova de dente com a do Paulo, e decidimos que era hora de comprar uma casa. Em pouco mais de um semestre, consegui juntar a minha parte na entrada de uma casa. Hoje, 17 de julho de 2012, assinamos o contrato, já com 30% da casa pagos. Uma casa pequena, mas de terreno inteiro, para finalmente meus cães poderem correr, cavar e brincar o quanto quiserem. Para muitos de vocês, pode até não parecer muito. Quem já andou com nossos sapatos sabe a vitória que é.
E é isso. Quem me acompanha no Facebook tem visto que minha barriga andava gelada. Medo de não conseguir comprar a casa que escolhemos, medo de assinar o contrato, medo de entrar em financiamento, ansiedade por todas as coisas boas que, tenho certeza, nos aguardam na nova casa, a nossa casa. Para quem está começando, fica o exemplo de que sim, é possível. Basta dedicação, disciplina e um tiquinho assim de sorte. Isso também explica meu ano meio sumida do blog, twitter, Skype, msn e todas essas coisas. Era um bom motivo, não?
Tradutor Profissional
41 Comentários
julho 17, 2012 às 10:21 pm
Kelli, não gosto de dizer coisas do tipo “estou orgulhoso de você”, porque, afinal de contas, a conquista é sua. Mas tenho, no fundo do peito, uma grande alegria por ver teu progresso e felicidade.
Um beijo grande para você, um abração no Paulo e uma coçadinha atrás da orelha para os cães.
julho 18, 2012 às 12:12 am
Pensava ter lido há tempos sobre momentos expressos como de desalento quanto à escolha, antes de ocorrer a associação levemente abordada. Claro, todo mérito tem seu devido reconhecimento. (Ou deveria ter, caso em que a fortuna lhe sorri.
Disso também vi postado no Tradutor Profissional.
Parabéns a Kelly e ao incentivo que volta e meia dirige aos coleguinhas que, não raro, se sentem solitários em suas escolhas.
Att., Karla
julho 17, 2012 às 10:22 pm
Parabéns, minha querida amiga!
Nada como ver quem a gente gosta subindo mais um degrau.
Muito amor na casa nova.
Superbjoks
julho 17, 2012 às 10:50 pm
Sempre tive certeza de que você venceria. Além de ser uma profissional competente, é uma pessoa corajosa. Se não fosse assim, não teria dado o primeiro chute no balde saindo da casa da mamãe e enfrentado o mundo como fez.
Depois, trabalhar com o Danilo, não é pra qualquer um. Tenho certeza de que ele sabe muito bem avaliar. Ele escolheu você. Precisa dizer mais?
Que Deus continue te abençoando, pois você está fazendo tudo certinho. Beijos,
Betty Espindola
julho 17, 2012 às 11:43 pm
Esse mérito, ninguém me tira: quem descobriu fui eu. Fui criticado quando convidei a Kelli para trabalhar comigo, mas não me arrependo.
julho 17, 2012 às 10:55 pm
Nessas horas de felicidade pura das pessoas que eu gosto, tenho vontade de me comportar como as crianças e só ficar pulando e gritando “êêêêê”!!!!
Parabéns Kelli e Paulo e cães, sejam muito felizes na casa nova!
Um beijo.
julho 17, 2012 às 11:15 pm
Haha…Foi engraçado ler esse post…nada a ver com o que vc escreveu Kelli, aliás, parabéns pela conquista! É que comecei a ler e não li quem tinha escrito. Supus que tinha sido o Danilo. Agora imagine a minha cara de espanto quando li “saí da casa de minha mãe” e mais ainda quando li “juntei minha escova de dente com a do Paulo” hahaha Neste ponto eu tive que voltar e checar quem tinha escrito porque tinha certeza que não tinha sido o Danilo.
julho 17, 2012 às 11:15 pm
Parabéns, Kelli!
É isso aí, a gente é tradutor e a gente consegue conquistar muita coisa, sim!
Desejo ainda mais conquistas e coisas boas para vocês
julho 17, 2012 às 11:17 pm
Desculpa, comentei com a fotinha da Adri Araújo pois estava logada como colaboradora do AP (coisas do WordPress!). Outro dia fiz isso no site da Val, mas juro que não é uso indevido de imagem!
julho 17, 2012 às 11:18 pm
Se for, só diz pra ela processar a pessoa certa, ok? hehehehe
julho 18, 2012 às 1:04 am
Haha, podexá. Só faltava ter que pagar o financiamento da nova casa junto com uma indenização!
julho 17, 2012 às 11:23 pm
Kelli, eu já te disse por outro meio o quanto estou feliz por vocês. Foi a coisa mais gostosa que eu ouvi nos últimos dias, além de ouvir minha netinha dizer “oi!”.
Que a casa seja um lar feliz, disso eu não tenho dúvidas, e que muitas realizações mais virão, disso tenho certeza.
Um abração bem apertado e carinhoso. Saudades d’ocê, Pimentinha.
julho 17, 2012 às 11:28 pm
Muito legal, Kelli.
É bom demais ver pessoas de quem a gente gosta crescendo e progredindo na vida pessoal e na vida profissional. Dá um calor gostoso no coração.
Parabéns!
julho 17, 2012 às 11:41 pm
Que bela conquista, Kelli!
Ainda lembro, quase 10 anos depois, dessa alegria de encontrar um lugar legal, desse frio na barriga aí que você sentiu e dessa felicidade e sentimento de conquista, de vitória, ao assinar o contrato, ao pegar a chave, ao fazer os pagamentos.
A ex-proprietária do meu apartamento me disse, quando assinamos o contrato: “Vivemos 8 anos neste apartamento, fomos MUITO felizes aqui, tenho certeza de que também serão”. E temos sido.
Parabéns, e muita felicidade na casa nova!
julho 17, 2012 às 11:41 pm
Kelli,
Parabéns!! De coração. Ando meio sumida, mas acompanho os acontecimentos.
E, como o Renato acaba de dizer ai em cima: “É bom demais ver pessoas de quem a gente gosta crescendo e progredindo na vida pessoal e na vida profissional. Dá um calor gostoso no coração.”
Parabéns!
julho 17, 2012 às 11:45 pm
Parabéns, Kelli! Que você siga fazendo progresso e servindo de exemplo pra nós!
julho 18, 2012 às 12:04 am
Parabéns, Kelli! Pela conquista, e pela organização e decisão para realizá-la
Que sejam muito felizes na nova casa!
julho 18, 2012 às 12:46 am
Não é fácil mesmo se organizar, Julia. Passei 6 meses gastando menos da metade do que ganhava. Roupa nova, sapato, bijuteria… nossa, até dá saudade!
julho 18, 2012 às 12:27 am
Estou muito orgulhosa de voces, meus filhos, e muito feliz por voces tambem. Espero em Deus que tudo corra bem e de tudo certo na vida de voces E agradeço tambem a todos os seus amigos pelas felicitações. E deixo aqui a minha tambem, e no que precisar pode contar comigo que podendo estarei sempre presente e os apoiando
julho 18, 2012 às 12:48 am
Mãe comentando aqui não vale, hein. Como o ser humano não chora agora?
Obrigada, mãe. Você sabe que nada disso seria possível sem você.
julho 18, 2012 às 12:52 am
Postei minha resposta no lugar errado. Mas agora é a hora da choradeira em família. Até a cachorrada está com lágrimas nos olhos.
Fez bem em postar Zoraide, a menina merecia.
julho 18, 2012 às 12:41 am
Histórias assim são um grande exemplo para quem está começando, e uma grande inspiração para iniciantes e veteranos.
Parabéns, Kelli! Mil felicidades na casa nova!
julho 18, 2012 às 1:43 am
Kelli, é impressionante como a minha história é parecida com a tua, apesar de ser obviamente diferente – porque, no ramo da tradução, parece que cada história é única. Mas, resumindo, no fim de 2007 fui para São Paulo sem saber no que iria trabalhar, graças a motivos que o coração dita – minha namorada da época estava de mudança, e resolvi ir de mala e cuia junto com ela.
Em março de 2008, comecei a trabalhar com tradução e finalmente encontrei uma “carreira” que queria seguir. Em 2009 acabei voltando a Porto Alegre e, em maio deste ano, comprei meu apartamento – só com o dinheiro da tradução, e confiando que a minha carreira vai me ajudar a pagar o restante do financiamento também!
Enfim, tenho bem fresca na memória a sensação que você deve estar sentindo agora e desejo a você tudo de bom nessa sua nova jornada!
Parabéns!
julho 18, 2012 às 1:44 am
A sensação é de ter uma casa e não poder entrar nela ainda. Como controlar a ansiedade?
julho 18, 2012 às 3:38 am
“Andou nos meus sapatos” Achei interessante você usar essa expressão porque eu só conhecia em inglês: “walking in my shoes”.
Inclusive, é o título de uma canção da banda inglesa Depeche Mode, da qual eu sou fã.
Link da música: http://www.youtube.com/watch?v=-4YEW8uibkY
Parabéns pela conquista! Eu também “suei” com tradução e consegui ajudar a minha esposa a quitar o nosso apartamento. Eu já andei nos seus sapatos, Kelli. Felicidades
julho 18, 2012 às 3:39 am
Jeovane, acho que peguei a expressão emprestada do inglês, sim. Achei menos ruim que falar das pingas que bebo e dos tombos que levo.
Obrigada!
julho 18, 2012 às 10:00 am
Parabéns, Kelli! É muito bom ver a vida das pessoas dando certo não por acaso, mas como resultado das escolhas que a gente faz. As coisas podem até cair do céu, mas quando não caem e a gente consegue chegar lá, o prazer é muito maior. Continue assim!
julho 18, 2012 às 10:18 am
Way to go, Kelly! Muitas felicidades na nova casinha. Eu gostaria de conhecer os cachorros sortudos. Beijão!
julho 18, 2012 às 11:50 am
Que história gostosa, Kelly! Parabéns pelo novo lar! Que ele seja cheio de boas energias e que a tradução te possibilite postar mais muitas histórias de sucesso aqui.
julho 18, 2012 às 12:08 pm
Só posso fazer coro ao mantram de todos aqui: Parabéns!!!!
E parabéns também pela franqueza em expor assim sua vida privada, para que sirva de incentivo a todos nós, porque serve sim, e muito! Sem nem te conhecer pessoalmente, imagino você olhando para trás, vendo o caminho que percorreu e tendo aquela sensação de que tudo foi bom, tudo foi certo…e depois, dirigindo o olhar à frente e vendo o sol iluminando o futuro! Sim, o universo conspira a seu favor! E que continue assim, sua felicidade é contagiante! Um abraço, mesmo que virtual!
julho 18, 2012 às 12:35 pm
Eu já sabiaaa!
Não preciso dizer o quanto torci, né? Só quem sabe o que é querer caminhar com as próprias pernas sem se vitimizar ou vitimizar a profissão sabe o valor disso. A Kelli não “vive de tradução”. Ela não coloca lá o título de tradutora e recolhe os rendimentos todos os meses. Ela ganha cada centavo com o talento e o esforço. Não é a tradução que “dá dinheiro”, é a gente que corre atrás dele. Parabéns, gata! Adoro quando os colegas tradutores vêm contar conquistas concretas dessa profissão tão virtual e tão fluida. Quando são amigos e competentes então… a vitória é ainda mais gostosa e verdadeira
julho 18, 2012 às 2:54 pm
Meus parabéns por sua conquista…hoje percebo o quanto é dificil. Ainda estou no inicio, e vendo o seu exemplo e do Danilo, vejo que um dia chego lá…rsrs
abraços
julho 18, 2012 às 3:23 pm
Parabéns, Kelli, a você e ao seu Paulo por esse primeiro lar comum. Que seja sempre feliz e seja o “berço” de muitas outras conquistas, pessoais e profissionais!
Good things happen to good people.
Beijos,
Nicole
julho 18, 2012 às 6:11 pm
É Kelli, a gente ouve cada coisa mesmo. Uma vez um cara me perguntou, ao saber que eu era tradutor, se eu não tinha vontade de ter uma profissão séria. Cada uma! Com a tradução (e interpretação) consegui organizar a minha vida financeira depois de passar por umas poucas e boas, fazer viagens que nem sonhava até então e até comprar um carrão (em todos os sentidos da palavra). Agora o duro é, as pessoas quando me veem com meu carro, ficam se perguntando “como comprou aquele carro sendo apenas um tradutor?” É dureza. Parabéns pelo seu sucesso.
PS: devo um pouco do meu sucesso a vocês, pois foi lendo seu blog que aprendi muitas coisas e mudei minha postura, e melhorei minha vida profissional e financeira.
julho 18, 2012 às 6:58 pm
Ouve sim, João. Mas a gente vai selecionando o que fingir que não ouve enquanto aguenta e usando esses marcos na vida para fazer um retrospecto. Outro marco foi quando busquei meu diploma na faculdade. revivi todos os cinco anos ali, naquele minutinho de espera, depois com os papéis na mão. São esses momentos que dão força para a gente continuar batalhando sempre.
julho 18, 2012 às 6:23 pm
Parabéns, Kelli! Eu acompanho o blog há bastante tempo e, como pode imaginar, também sou tradutora. Ultimamente, no entanto, fiquei “na seca” de trabalhos, por motivos outros que a competência. Mas como isso já dura alguns meses, estou começando a andar de barriga gelada por aí. Por isso que foi tão bom e reconfortante ler o teu relato. Sei o que é caminhar com esses sapatos e você fortaleceu o meu otimismo, a minha crença de que os trabalhos voltarão a aparecer se eu me dedicar, me disciplinar e, quem sabe, for agraciada com um tiquinho assim de sorte. Uma bela e plena vida pra você, Paulo e os cachorros na maravilhosa casa da tua vitória!
julho 18, 2012 às 6:56 pm
Patricia, minha seca durou 10 meses. Uma outra tradutora Patricia teve uma de 12. Acontece. O negócio é persistir e não deixar de procurar serviço nunca!
Boa sorte e que a sua termine logo.
julho 19, 2012 às 4:51 pm
Sempre leio, nunca comento. Mas esse merece um parabéns.
Minha seca de trabalho durou 18 meses.
A empresa para a qual trabalhava não tinha serviço o bastante na área.
Passei fome (de verdade) e consegui me reerguer – e até por isso me identifiquei e estou escrevendo.
Quanto as aulas de inglês, eu comecei em 94 e ganhava 15,30 e parei, em 2007, ganhando 50,00 hora aula. Mas era um bom negociante e só dava aula para executivos na Av. Paulista.
Parei com as aulas há uns 6 anos – não aguentava mais acordar 5:45 para dar aula 7:15 – mas conhecia professores que vendiam seu tempo por 80,00.
Acho que não existe ramo que paga pouco, você é quem tem que saber vender seu peixe.
Tento explicar isso para a minha namorada até hoje e sempre mostro os artigos do Danilo nos quais ele fala sobre o assunto.
Parabéns, Kelli.
julho 21, 2012 às 4:20 am
Estes dias estava me perguntando: cadê a Kelli? Seus textos e reflexões estavam fazendo falta; não me leve a mal senhor Danilo ( é sempre muito bom ler o que escreve e aprendo bastante também, além de me divertir muito).
Que bom saber que o seu afastamento foi por um ótimo motivo! Felicidades na nova fase de sua vida Kelli! God bless you!
julho 21, 2012 às 4:27 am
Obrigada! Gerlane, é uma fase ótima, mas também louca. Minha vida está mudando drasticamente há algum tempo, e acabo tendo uma certa dificuldade para acompanhar tudo. O bom é que é meio que em compartimentos: primeiro, mudei de profissão, viajei bastante. Agora, juntei escovas de dentes, estou comprando casa, essas coisas. Mas é muita coisa em pouco tempo, isso é
julho 29, 2012 às 9:24 pm
Não costumo ler o blogue de vocês (momento confissão?!), mas hoje passei os olhos e vi o seu texto… acabei indo às lágrimas por ter uma história parecida: há quase 4 anos larguei a função de professora substituta em universidade pública e comecei a traduzir em tempo integral.
Em janeiro deste ano, encontrei o apê dos sonhos… senti os mesmos temores que você sentiu, mas, confesso, tive muito orgulho ao ler lá na escritura: “ana resende, tradutora”…
Felicidades nessa nova fase da sua vida.
Ana R.