Antigamente, as traduções eram entregues em folhas de papel formato ofício (22 cm X 32 cm), datilografadas em espaço duplo e com umas margens generosas. Tinha lá sua razão de ser, em virtude do modo como os livros eram compostos na época, à força de linotipo, uma máquina que ganhou esse nome em português porque era chamada Linotype em inglês. Agora, que a traquitana foi aposentada e que todos nós usamos computador, lauda é coisa que não faz mais sentido.

Entretanto, alguns setores do mercado se apegaram tanto ao nome lauda que ainda mantêm a unidade de cobrança, embora não se tenha jamais chegado a um acordo quanto ao que seja uma lauda feita no computador e as definições variem de algo como 1000 a até 2500 caracteres – com ou sem espaços. Então, é necessário fazer uma contagem, geralmente com a ferramenta de contagem de palavras do próprio Word e depois converter em laudas. Como se não fosse mais simples cotar por milhar de caracteres de uma vez. Mas a tradição demora a morrer.


As laudas são contadas, tradicionalmente, com base no texto traduzido, algo que os clientes aceitavam antigamente, mas cada vez os irrita mais. O cliente quer saber o preço total antes de aprovar o pedido e, por isso, prefere cobranças baseadas no texto de partida, quer dizer, no original e não são poucas as vezes em que o cliente se surpreende, ou pelo menos se declara surpreso, com a quantidade de laudas que deu “aquela meia dúzia de pagininhas de texto” e pede uma “reconsideração da contagem” porque está “acima do orçado”.


Para evitar esse problema, alguns tradutores estão começando a cotar um número de “laudas garantidas”. Quer dizer, contam os caracteres do original, multiplicam por 1,3, presumindo que a tradução seja 30% mais longa que o original, dividem pelo número de caracteres que constitui a sua “verdadeira lauda” e, assim chegam um número de laudas. O curioso é que esses profissionais acham o meu modo de cotar complicadíssimo: coto um preço por palavra do original. Fiz os outros cálculos antecipadamente e determinei um preço por palavra do original que me pareceu aceitável.


Aprendi a cotar assim trabalhando para o mercado americano e inglês, onde esse é o padrão. Parece que essa tendência está se espalhando, como tantas coisas que se tornaram padrão nos Estados Unidos. Hoje, até o SINTRA anda falando em cotação por palavra.